sábado, 17 de janeiro de 2009

ÁGUAS TURVAS

Um fruto podre
Fétido
Cálido
Seco e pálido
Reflete a alma fraca
Flácida e cálida
Num palco nu
De alma e corpo
Vazio e frio
Desce o pano sobre mim
Descerra-se o mundo
de insano fim
No ladrilho que reveste o peito
Já nao sinto passos
Minha lembrança hoje é vaga
São pequenos e incertos traços
De antigos beijos e abraços...
Que um dia dei!


sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

SOU PARDAL

Sou eu o passarinho.
Voando... Voando
Descobrindo mundos
Incorrendo em erros
Errando... Errando
Coitado de mim. Este pobre passarinho
Que voando e errando
Ainda nao achou seu ninho!

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

HORA ZERO

Já sao quase meia noite
Vou abrir o meu champagne
Fazer tilintar taças e me perder em abraços frios
Num misto de embriaguês mórbida
dar um brinde a solidão!

A noite ja vem caindo...
Viva nossa eterna ilusão

Mas se nem todo sonho é pesadelo
Entao que se quebrem taças e garrafas
Pois hoje a noite é de alegria e festa
Vamos aquecer abraços
E renovar nossos laços

Mas a noite já vem caindo
Depois de hoje...
Quero morrer em seu braços

sábado, 27 de dezembro de 2008

CORAÇÃO EM DESALINHO


As Mãos frias calaram -me a boca
De mim já nao saiam cantos
E você já nao ligava a olhos vistos
Para meus agora pobres encantos

Proibido que fui de expressar com beijos
Meu amor...
Restou-me prantos oceanicos
Pra chorar a aflita dor

Como ave ferida
Mergulhei
Virei e revirei nessa cama
desfiz lençoes e refiz certos nós.

Mas hoje...abismo da noite
Recanto frio de ausencia
Num eterno compasso de espera
Meu coração bate absoluto
Porque você de mim partiu
Tingindo minha alma de luto



sexta-feira, 31 de outubro de 2008

ROSEIRAL

Foi numa bolha de sabão que eu te encontrei...
Explodindo feito sorriso de arlequim
Bolha inusitada
Molhou-me a face de perfume
E lágrima

Fui criança outra vez
E por vielas e cidadelas te busquei
Recanto de amor
Por toda uma vida... Foi com você que eu sonhei

Em uma bolha de sabão como nuvem...
Subitamente eu te achei
Toda prosa
Cheia de manha
Ah! menina
Desse jeito você me ganha

E foi assim...
Numa bolha com perfume de jasmim
Que a mais perfeita rosa... Feito praga
Tomou conta do meu jardim!

DITO E FEITO

Palavras não fluem feitas rio
Palavras são notas celestiais
Podem ser monossilábicas
Ou mesmo vindo de gritos colossais

Palavras e letras soltas
São iguais vaga-lumes
Iluminando um pouco qualquer canto escuro

Palavras não têm o dom da verdade
Esse dom é de quem sabe interpretá-las

Palavras podem ser cruas... Até mesmo cruéis
Elas são por vezes culpadas da dor
Mas são invariavelmente também responsáveis
Pelo amor

Palavras e tons formam musicas
Palavras e prece... Uma oração
Elas decidem e votam
Palavras induzem
As mesmas palavras que dispensam
Por vezes são as mesmas que seduzem

Elas se expressam por bocas cálidas
E outras pálidas
Palavras por gestos mudos também falam
E quando não há mais o que dizer...
Elas simplesmente calam


Palavras podem ser destemperadas
Cheias de lamurias
Palavras têm peso e até cor
Mas no fim...
Palavras ditas ou escritas
São apenas palavras
E nada mais!


segunda-feira, 27 de outubro de 2008

POR UMA NOITE

Passeou por mim feito tênue pele de cordeiro
Deslizou macia
Desvendou mistérios e medos
Fez-me delatar a vida
Desmanchando-me em segredos

Deslizou por mim
E sem tréguas... Desceu

Primeiro a camisa
Que suada de paixão se rendeu
Depois a velha e desbotada calça
Que fácil e insolente também cedeu

Nu e indefeso
Rendi-me!
Hoje só lembro-me da boca... A safada e suculenta boca
Molhada e sem fim
Passeando... Marcando-me os recôncavos de carmim

E entre gritos e sussurros
Nossa noite fluiu
Mãos desenfreadas e pernas eternamente separadas

Mas então... Você deslizou mais uma vez por mim
Vestiu-se de negro já olhando da porta.
Só então entendi...
Aquela noite havia chegado ao fim!